A história de Karen Beckenstein

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A história de Karen Beckenstein

By María Danniella Gutiérrez-Salem - Tradução: Fernanda Magrini Sinha

Nossa entrevistada hoje nasceu nos Estados Unidos, mas suas raízes são latinas. Seu pai nasceu na Itália, mas se mudou para a Venezuela quando tinha 15 anos. O que motivou a família de seu pai a se mudar para a Venezuela? “Naquela época, década de 40, os países sul-americanos como a Venezuela abriram suas portas para esses imigrantes, a Venezuela era, na época, um país em desenvolvimento. Lá, ele se formou como médico, com especialidade em fisiatria, e então conheceu minha mãe, que era colombiana, mas se mudou para a Venezuela porque o país tinha uma economia flutuante e, portanto, tinha um mercado de trabalho mais ativo, por isso, tenho fortes vínculos com a Colômbia e a Venezuela.

Fico muito triste que um país com tanta riqueza como a Venezuela esteja vivendo tempos tão difíceis.

Mas o resultado de semear o ódio e a corrupção não é senão a miséria. Continuando minha história, meu pai se casou com minha mãe e recebeu uma oferta de emprego para ser um médico residente aqui nos Estados Unidos. Ele decidiu começar esta nova aventura sabendo que não seria fácil porque sua família já estava instalada na Venezuela, mas, assim como seus pais, ele tinha que fazer seu próprio futuro. Nasci e meu pai continuou crescendo como profissional, e os Estados Unidos se tornaram nosso novo lar.

Naturalmente, nossos valores familiares, alegria e entusiasmo pela vida permaneceram intactos. Meus pais sempre trabalharam duro para me fazer entender a importância de uma boa educação. É por isso que eles me encorajaram a estudar todas as diferentes línguas que me rodearam desde a infância: espanhol, italiano, francês e, claro, inglês. Todas elas eram importantes e eu dedicava tempo a cada uma delas. Aprendi gramática e pronúncia.

Com isso entendi que os livros didáticos que ensinam essas línguas têm muitas informações técnicas que, em geral, acabam sendo uma espécie de porta de vidro que impede que você se submerja no que é importante. Ao aprender uma língua é necessário aprender o básico e não o que é complicado. Minha avó paterna tinha uma filosofia de vida muito especial e sempre me disse para não ter medo de brincadeiras, que quando os outros o fazem, é porque estamos aprendendo. Acho que seguir sua filosofia me fez poliglota”.

Você fez faculdade? “Eu me formei como advogada em Massachusetts e trabalhei por vários anos, trabalhei pela primeira vez para um juiz do Texas e, então, em 2000, comecei a trabalhar em Nova Iorque na área educacional, orientando os jovens sobre como entrar no mercado de trabalho. Eu gostava muito de ensinar, então quando disse ao meu marido que queria ensinar línguas, ele não se surpreendeu.

Usei o método Montessori, que diz que o ensino não é dar uma aula, mas sim conectar-se com os sentidos para que a criança possa aprender com base em sua necessidade.

Eu também fui influenciada pelo fato de que, em 2004, enquanto vivia aqui em Connecticut, me tornei mãe, e ver meu bebê começar do zero e se desenvolver mês a mês me convenceu de que minha vocação é ser educadora.

A vida nos coloca em situações em que nos reinventamos várias vezes, para aprendermos e encontrarmos os diferentes talentos que temos.

Minha recente aventura é um centro de idiomas. Acredito firmemente que aprender outra língua nos enriquece, não só do lado cultural, mas também do lado emocional, começamos a entender e apreciar coisas novas. Nesta vida nos nutrimos e que melhor maneira de se conectar a isso do que através da diversidade”.

Qual seria a sua mensagem final? “Abram seus corações e suas mentes, seja diferente, fale diferente, isso nos torna especiais. As pessoas que praticam a discriminação o fazem por ignorância, enquanto as que a aceitam o fazem por amor”.

 

María Danniella Gutiérrez-Salem praticou direito na Venezuela antes de ir atrás de seu próprio sonho americano e se tornar escritora nos Estados Unidos. Mdgutier@gmail.com

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March 26, 2017

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