A História de Leandro Diogo

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American Dream Series

A História de Leandro Diogo

By Maria Danniella Gutiérrez

 

Ser um imigrante é difícil por diversas razões. A mais comum são as diferenças culturais entre o país onde se nasce e o país onde a pessoa escolhe viver. Assim como encontrar um jovem que conseguiu coexistir entre duas culturas, posso dizer que os jovens imigrantes deixam sua marca no desenvolvimento deste belo país. Nosso entrevistado nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ele veio com seus pais para os Estados Unidos quando era adolescente em 2002. Começou a entrevista explicando que neste país ele mudou, evoluiu e aprendeu a apreciar sua cultura.

Como você mudou? “Meu nome no Brasil seria Leandro Diogo Pestilli. Devido ao matriarcado, dois sobrenomes são usados: primeiro o da mãe e depois o do pai. Nos EUA, apenas o último nome do pai é usado. Portanto, meu nome aqui é Leandro Diogo. Há também outros aspectos da minha vida relacionados à minha personalidade que mudei. Nos países latino-americanos, programar e planejar são coisas raras entre os adolescentes. No entanto, aqui, os adolescentes planejam suas atividades. Isso me pareceu estranho, porque no Brasil você pode chamar alguém e fazer coisas no mesmo dia ou visitá-los sem avisar. Mas aqui, todo mundo é tão ocupado que é impossível fazer essas coisas. Isso me fez entender a importância da gestão do tempo”.

Por que você acha que evoluiu neste país? “Eu estava comparando o eu adolescente, que, depois de dois anos nos EUA, queria voltar para o Brasil, porque sentia saudade da família e dos amigos, com o homem que sou hoje, formado em administração de empresas pela Universidade de Western Connecticut, que planeja fazer um curso de pós-graduação que me permitirá trabalhar em uma empresa internacional. Eu percebi que simplesmente evoluí. Hoje, entendo que quando as coisas ficam difíceis, a solução é não voltar atrás; a solução é encontrar uma outra maneira. Naquela época, meus pais me deram a opção de voltar ao Brasil, mas ao mesmo tempo, explicaram que decidimos juntos vir para este país, porque eles entenderam que o Brasil nunca nos ofereceria as oportunidades que os EUA poderiam oferecer. Então eu fiquei e foi a decisão certa. Ao longo dos anos, aprendi a língua, a importância de estabelecer objetivos e encontrar uma maneira de alcançá-los. Minha família será sempre minha família, não importa onde ela esteja, e os amigos fazemos ao longo do tempo. Os americanos não são muito amigáveis no começo, ao contrário de nós, mas assim que ganhamos sua confiança, ganhamos sua amizade. No fim das contas, é um processo coerente se pararmos para analisar. É uma questão de aprender como as coisas funcionam sem esquecer quem você é”.

Agora você valoriza sua cultura; você não a valorizava quando vivia no Brasil? “A verdade é que na maioria das vezes nós subestimamos as coisas. Acreditamos que tudo é igual em todos os lugares. Do Brasil, eu amo a importância da família. Mesmo quando somos adultos, nossos pais estão envolvidos em cada episódio da nossa vida, e eles nos ajudam a tomar decisões e nos encorajam a seguir em frente. Eles estão sempre dispostos a fazer qualquer sacrifício para nosso bem-estar. Isso é algo que eu não quero nem posso esquecer”.

Qual seria sua mensagem final? “As pessoas querem fazer do mundo um lugar melhor para viver, mas não fazem nada para mudar isso. Eu acho que mudar a nós mesmos e reservar um tempo para ajudar os outros pode mudar o mundo. Todos nós devemos ser agentes da mudança”.

 

Daniella Maria Gutiérrez-Salem praticou advocacia na Venezuela antes de seguir seu próprio sonho americano e se tornar uma escritora nos Estados Unidos. mdgutier@gmail.com.

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September 16, 2016

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