A História de Talline Carvalho

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American Dream Series

A História de Talline Carvalho

By Mariana Silva

Para Talline, os Estados Unidos representa o seu lar e o lugar que lhe mostrou que ela pode ser o que quiser, basta correr atrás.

A brasileira Talline Carvalho, empresária no ramo de seguros, é a entrevistada do Tribuna para o perfil ‘American Dream’ dessa edição. Nascida em Criciúma, Santa Catarina, mora nos Estados Unidos desde 2003, quando decidiu vir sozinha aos 21 anos de idade em busca de uma vida melhor. O plano era vir, juntar dinheiro e regressar ao Brasil. Hoje, cidadã americana, Talline fala da vida no país que a acolheu e desabafa sobre o atual momento de medo e angustia que paira sobre os imigrantes indocumentados.

“Eu trabalhava como gerente de uma joalheria no Brasil e fazia faculdade de administração de empresas. A economia do país não estava atrativa e eu não conseguia enxergar um futuro promissor naquele momento. Foi quando resolvi tentar a sorte aqui nos Estados Unidos”.

O primeiro desafio ao sair do Brasil começou logo no momento do desembarque. “Uma amiga iria me buscar no aeroporto. Ela simplesmente não apareceu. E detalhe: eu não conhecia mais ninguém no país.  Logo me lembrei de uma conhecida que tinha um irmão que morava aqui e liguei desesperada pedindo ajuda. Ele me buscou e fiquei hospedada na casa dele em Hartford por uns 20 dias. Em seguida, mudei para a cidade de Naugatuck na qual eu resido até hoje” relembra aos risos.

Longe da família e sem conhecer ninguém, o primeiro ano na américa não foi nada fácil. “O que mais doía era a saudade da família. Ter que tomar decisões sozinhas, não conhecer ninguém e não falar o idioma do país eram situações extremamente difíceis. Quando cheguei eu só pensava em trabalhar, juntar dinheiro e voltar para o Brasil. Eram esses os meus planos”, ressalta.

Após quatro meses de estadia, Talline, decidiu que deveria estudar inglês. Mal conseguia se comunicar e acreditava que investindo no inglês as portas se abririam lá na frente. “Eu estudava o Inglês como Segunda Língua – ESL, na escola de Waterbury. Eu estudei por um ano lá e neste período saí de dois empregos, ficando apenas em um. Eu estava ganhando pouco, mas eu precisava focar no inglês. Na minha cabeça era essa a decisão que eu deveria tomar. E hoje eu agradeço a Deus por ter escolhido esse caminho”.

Logo após aprender inglês, iniciou os estudos na Naugatuck Valley Community College. “Quando vi que aqui teria a oportunidade de fazer faculdade, abracei com unhas e dentes tal chance. E escolhi  recomeçar o curso de administração”.

Em 2005, após dois anos da sua chegada, conseguiu o tão almejado greencard. “Depois que eu estava legalizada no país, fui trabalhar em uma agência de seguros em Naugatuck, onde trabalhei por 9 anos. Neste período tirei várias licenças. Seguro de automóvel, seguro de casa, seguro de propriedade, seguro de vida, entre outros serviços. E no ano de 2014 surgiu a oportunidade de abrir a minha própria agência de seguro. A inauguração aconteceu no dia 1 de janeiro de 2015, em Danbury”.

 

Prefeita de Waterbury por um dia

Em comemoração ao dia da Independência do Brasil, Talline Carvalho foi nomeada como prefeita por um dia da cidade de Waterbury no ano de 2013. Ela foi indicada por membros da comunidade brasileira para representar o país. “Foi uma experiência extraordinária e um ganho para toda a comunidade. Todos nós brasileiros fomos homenageados naquele ato solene. Foi uma emoção muito grande pelo reconhecimento do Brasil. Eu tenho muito orgulho do meu país de origem”, ressalta.

 

Solidariedade com a dor alheia

Eu tenho um contato muito grande com a comunidade imigrante em geral. Toca dentro do meu coração tudo o que está acontecendo neste momento com o país. Eu vejo a angústia e o desespero que muitos estão passando. Deveríamos ter uma reforma imigratória, pois há muita gente de bem, pessoas trabalhadoras, que pagam seus impostos e que só querem viver aqui em paz.

Talline toca em um ponto sério e muito importante: sobre checar a veracidade das informações que são repassadas para não causar pânico na comunidade. “É preciso ter cuidado com as informações que são transmitidas para não gerar pânico. Eu vejo pessoas compartilhando mentiras para deixar a comunidade desestabilizada. Lógico que tem as pessoas que compartilham sem maldade, mas alguns fazem para gerar temor”.

“Procurem por fonte segura, informativa e real. Não fiquem apavorados com tudo que ler ou ouvir por aí, pois daqui para frente a tendência é  surgir inúmeras ‘notícias’ sem fundamento. Entre no site da Casa Branca, do ICE e de veículos de comunicação que tenham o compromisso com a verdade. Neste momento precisamos que a nossa comunidade se una, pois a união faz a força e juntos somos mais fortes”.

Um apelo que ela deixa para todos os imigrantes: “Nunca desistam dos seus sonhos. As dificuldades vêm para um aprendizado maior. Tenha certeza que vocês serão recompensados lá na frente”.

 

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March 10, 2017

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