Conheça a História de Wilson Hernandez

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American Dream Series

Conheça a História de Wilson Hernandez

By Mariana Silva

Em tempos de angústia e incertezas em relação ao futuro, o Tribuna Newspaper dedicou seu espaço para quem faz da vida um ato de solidariedade e compaixão ao próximo. Nesta edição, nosso convidado do Perfil “American Dream” é o empresário e Presidente do Centro Cívico Equatoriano da cidade de Danbury, Wilson Hernandez. Levar esperança e palavras de coragem aos inúmeros imigrantes indocumentados, enfrentando uma realidade de medo e preocupação, é um dos pilares que impulsiona o trabalho do nosso entrevistado.

Em 1985, Hernandez decidiu migrar para a terra do Tio Sam em busca de respostas para a sua curiosidade em torno do “burburinho” que contagiava a todos pelo mundo. Ele queria entender o porquê o país se consagrava no imaginário popular de tanta gente. “Não era uma urgência econômica para mim, eu não vim a este país necessariamente porque necessitava de um trabalho. Eu era professor, de família classe média, tinha uma situação bastante estável no Equador. Eu vim muito mais pelo contágio de ver amigos e familiares migrando para outros países”, explica.

Em seu país de origem, era professor e ministrava disciplinas como agricultura e ciências sociais. “Não gosto de escutar que todas as pessoas vieram para cá em situações difíceis. É uma mescla de fatores e cada imigrante tem uma história diferente. Alguns vieram com formação profissional, outros para estudar ou fugindo de opressão e violência doméstica. Eu vim para cá atrás da minha liberdade e na busca das histórias que eu escutava sobre o país. Não se pode generalizar a vida de todos os imigrantes”.

A curiosidade de conhecer um novo mundo o fez atravessar a fronteira pelo México. Para trás, ficou a esposa e os dois filhos e o planejamento de retornar o mais breve possível. Porém, não foi como pensava. “Eu tinha planos de regressar em dois ou três anos e continuar com a minha vida no Equador. Porém, você constrói uma nova vida e voltar fica muito difícil. Após três anos, eu consegui legalizar e visitava a minha família sempre que possível”, relembra.

Demorou muitos anos para que a família Hernandez pudesse morar juntos novamente, pois até então, Wilson viajava ao Equador apenas em datas comemorativas e por poucos dias. Após 15 anos morando nos Estados Unidos, conseguiu que sua esposa e filhos fossem legalizados, e assim, a família fincou raiz no país.

A vida de um imigrante é de luta permanente

“Os primeiros anos foram difíceis devido a distância, a herança enraizada do país de origem, a saudade da família, adaptação em uma sociedade culturalmente diferente e com um idioma que eu não dominava. Isso tudo é um processo doloroso e dificulta ainda mais os primeiros anos no país. O choque cultural é bem forte. E há uma luta interna para não perder a sua essência. Mas é necessário seguir lutando, pois a vida dos imigrantes é de luta”.

Trabalhou em fábrica de roupas, lojas de verduras, foi motorista de táxis e limusines, e depois de muitos anos, comprou o restaurante do irmão em Danbury, cidade a qual ele considera atualmente como o seu lar. “Hoje em dia esta é a minha cidade, aqui vivo, aqui sonho e aqui luto”.

Entre as muitas lições aprendidas ao longo dos 32 anos vivendo nos Estados Unidos, está a de que, mesmo diante de tamanha luta, os Estados Unidos é um país cheio de oportunidades e liberdade.

O tão almejado sonho americano

O sonho americano deste equatoriano, possivelmente, não é o de todos. “Meu sonho americano não está ligado apenas em conseguir bens materiais, isto é só uma parte de um sonho muito maior, que é de viver em uma sociedade com liberdade, segurança e onde cada um dos amigos e próximos possam também realizar os seus sonhos”.

“Não concebo uma vida, só trabalhando por mim. A vida para mim é um encontro permanente de dar as mãos para os demais, além de alcançar objetivos que são de bem comum. Minha grande felicidade vem de trabalhar com a comunidade. Eu não estarei bem, se os demais não estiverem bem”, ressalta.

‘Os imigrantes necessitam de compreensão, compaixão e solidariedade’

“Temos que inspirar nos outros a esperança. A minha mensagem para todos os imigrantes é que lutem, sejam cada dia melhores cidadãos e que cumpram com as suas responsabilidades.

Vamos pedir a Deus que ilumine os nossos governantes para que elaborem uma reforma migratória compreensiva, justa, integral e que nos permita sair das sombras. Não podemos perder as nossas raízes, mas já que decidimos vir para este país, trabalhar, morar, lutar até a nossa morte, que façamos o melhor que pudermos. Que sejamos melhores a cada dia.

Eu desejo que nossos governantes não se esqueçam da história e dos valores e princípios deste país. Meu lema é: Sou grato a vida que amo tanto. E seguirei trabalhando e lutando, pois como eu disse, a vida de um imigrante é de luta permanente”, finaliza Hernandez.

 

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April 7, 2017

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