Carnaval Brasileiro: Um Espetáculo Inesquecível

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Colunas, Little Brazil

Carnaval Brasileiro: Um Espetáculo Inesquecível

By Karla Rensch

O carnaval do Brasil é mundialmente conhecido por seu esplendor, peculiaridade e criatividade. Sendo um país riquíssimo no quesito diversidade, o seu carnaval vai seguindo o mesmo fluxo e apresenta-se de maneira diversa em cada estado e região. Não é surpresa que um grande número de pessoas em toda parte do mundo assisti aos desfiles das escolas de samba da primeira divisão do Rio de Janeiro através do canal internacional de TV.

“É um espetáculo de luxo e beleza que agrada aos olhos”, comenta John Simon, americano casado com uma brasileira carioca que ama o carnaval. Ela não somente trouxe consigo a paixão por sua escola de samba, como também a transferiu para o seu marido e familiares.

Este ano, o “carnaval” político e econômico retratou o Brasil na atualidade. A crise antes mascarada agora é aparente. O caos que segue reinando no dia a dia do brasileiro transformou-se em enredo carnavalesco, dando voz a indignação secular de uma nação e garantindo a vitória da agremiação Beija-Flor de Nilópolis.

A Beija-Flor apresentou no sambódromo uma crítica inteligente e direta a atual situação política do país. Esta crítica foi escrita por Gabriel David, nada menos que o filho do patrono da escola, Anísio Abraão David, conhecido contraventor que recorre em liberdade de uma sentença de 48 anos de prisão,  gerando controvérsia a dissertar sobre corrupção quando as escolas estão historicamente ligadas a máfia que domina os jogos do bicho e maquinas caça-níqueis no país.

No enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, a Beija-Flor fez um paralelo entre o Frankenstein, de Mary Shelley, que está completando 200 anos, e os “monstros nacionais”, entre eles a corrupção, as agressões à natureza, o uso indevido de impostos e as disparidades sociais.

Apostou certeira e exageradamente na teatralização. Um carro representando uma favela variando de traficantes “armados”, brigas de casais e até mesmo uma mãe velando um filho policial morto. A “farra dos guardanapos”, episódio do esquema criminoso do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, também foi encenada e aplaudida.

O desfile girou em torno de metáforas de terror sobre o Brasil, trazendo alas de roedores dos cofres públicos e lobos em pele de cordeiro em referência aos políticos, não esquecendo, inclusive, de mencionar a corrupção da Petrobras em fantasias com barris de petróleo na cabeça e em um carro que retratou o edifício sede da empresa atrás de um grande rato. Teve de tudo um pouco daquilo que, infelizmente, retrata a rotina de terror que é a vida do cidadão brasileiro pobre, desde violência, poluição, impostos excessivos, sistema de saúde precário, a crianças carentes…

A luta contra a intolerância religiosa não poderia ficar de fora de tamanho protesto “político-carnavalesco”, e foi muitíssimo bem representada com componentes vestidos de pastores evangélicos, católicos e muçulmanos. Pabllo Vittar, artista transformista de sucesso relâmpago no Brasil, foi destaque no carro anti-LGBTfobia.

No geral, a plateia presente comprou o discurso de indignação da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, aplaudindo e cantando junto o enredo com lágrimas de revolta. O desfecho teve chave de ouro ao simular uma passeata popular.

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March 9, 2018

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