Um pouco de Inspiração Neste Período de Festas de Fim de Ano: Entrevista Exclusiva com a Ganhadora do Prêmio Cecil J. Previdi 2018, MaryJean Rebeiro

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Um pouco de Inspiração Neste Período de Festas de Fim de Ano: Entrevista Exclusiva com a Ganhadora do Prêmio Cecil J. Previdi 2018, MaryJean Rebeiro

By Angela Barbosa

Em uma entrevista exclusiva, a vencedora do Prêmio Cecil J. Previdi de 2018, MaryJean Rebeiro, nos dá uma nuance de uma vida bem-sucedida e inspiradora, baseada nos princípios e valores familiares que moldaram a mulher que ela é hoje.

Rebeiro é nativa de Danbury, onde continua a viver “La Dolce Vita” com seu marido, Anthony, que ela descreve como uma rocha em sua carreira, e seus filhos Nicholas, Steven e Stephanie, a qual compartilha que o mais forte traço de caráter de sua mãe é sua determinação.

Rebeiro é filha do Sr. Anthony Rizzo e Joan Rizzo, proprietários e fundadores da Rizzo Companies.

 

Tribuna: A influência de seus pais afetou o plano de carreira que você escolheu?

MaryJean – Eu realmente acredito que é por causa da minha educação que estou na carreira em que estou. Acredito firmemente que o caráter de uma pessoa é moldado quando jovem, baseado nas experiências que se tem, no ambiente em que se cresce. Com os negócios de meus pais começando a funcionar em nossa garagem e minha mãe cuidando de toda a papelada e nos criando, eu vi em primeira mão que uma mulher poderia fazer mais do que apenas criar uma família. Eu fui educada nos negócios desde muito jovem, vendo meus pais administrarem seus negócios em casa.

 

Tribuna – Conte-nos um pouco da sua experiência na NY-Conn Corp. e seu papel como presidente/CEO?

MaryJean – A NY-Conn começou em dezembro de 1989. O negócio ficava em um pequeno escritório e garagem em Brookfield, CT. No início, fazíamos pequenos projetos residenciais e comerciais. Quando comecei a procurar maneiras de fazer crescer o negócio, o Programa Estadual de Empresas de Mulheres (WBE) de Connecticut me permitiu expandir nossa área de atuação. Foi um processo desgastante, com muitas documentações a serem submetidas, bem como uma inspeção no local. A aprovação abriu uma porta para a NY-Conn, permitindo-nos ser contratados por empreiteiros para cumprir metas menores em projetos do estado.

Hoje, a NY-Conn emprega 95 funcionários. Além de fazer trabalho elétrico, trabalhamos em vários projetos de rua, sinalização de tráfego e realizamos projetos em todo o estado. Os projetos de sinalização permitem que sejamos mais diversificados e contratemos trabalhadores e operadores de equipamentos, além de nossos eletricistas/aprendizes. Trabalhamos em todo o estado de Connecticut, bem como Nova Iorque (Condado de Westchester, Dutchess e até New Rochelle, NY).

Meu trabalho como presidente/CEO agora me permite delegar, ao contrário de lidar com toda a papelada. Eu consigo orientar aqueles que trabalham para mim. Isso permite que eu me concentre nas finanças e veja toda a empresa e aqueles que trabalham para mim. Além de devolver à comunidade, já que agora tenho tempo de me comprometer com Conselhos e oferecer meus conhecimentos em determinadas áreas.

 

Tribuna – Descreva alguma ética de trabalho importante que ajudou você a alcançar o sucesso nos negócios.

MaryJean – Quando criança, vi em primeira mão o que era ética de trabalho. Meus pais eram totalmente comprometidos com seus negócios. Eu vi os sacrifícios que foram feitos para expandi-lo. Meu pai trabalhava longas horas e minha mãe estava sempre sentada na mesa da sala de jantar, tarde da noite, fazendo a folha de pagamento da empresa, bem como outros documentos. Eu, a única mulher, prestava atenção à minha mãe e sua atenção aos detalhes. Ela era meticulosa em lidar com a papelada e os livros. [Ela estava] me ensinando ainda jovem a registrar dados contábeis (isso foi antes dos computadores entrarem em cena), bem como arquivar, sempre enfatizando a organização. Essas foram habilidades que levei comigo e utilizei no meu negócio.

Mesmo que eu esteja fora do escritório, se alguém ligar e perguntar: “Onde posso encontrar este documento?”, consigo responder, pois matenho tudo em seu lugar para que os negócios possam continuar na minha ausência.

 

Tribuna – Uma palavra para descrever cada um dos seus irmãos e o impacto deles na sua vida?

MaryJean – A única palavra para descrever meu irmão mais velho, Michael Ross Rizzo, agora é “não-confrontacional”. Mike não quer lidar com o estresse e deixa seus irmãos tomarem as decisões sobre bens imobiliários. Se lhe perguntam sua opinião, ele responde que concorda com o que decidirmos. Embora quando jovem ele fosse um aficionado do trabalho, provavelmente agora tem a personalidade mais descontraída de nós quatro. Era ele quem eu podia contar na escola, meu irmão mais velho que sempre cuidou de mim.

“Mediador” é a palavra que me vem à mente quando penso no meu irmão Anthony Michael Rizzo Jr. Quando mais novo ele era como minha mãe, quieto e tímido, mas [era] o irmão que tentava acalmar as coisas quando surgia um problema. Eu acho que ele assumiu esse papel porque era o filho do meio. Eu era a única garota, mas ele estava no meio dos meus três irmãos. À medida que crescemos e assumimos papéis de liderança em nossos respectivos negócios, sempre respeitamos o que o outro alcançou… Ele é o irmão que mais se parece comigo. Nós sempre nos esforçamos para sermos melhores naquilo que nos comprometemos.

A palavra que me vem à mente quando penso no meu irmão mais novo, Ross John Rizzo, meu sócio na NY-Conn, é “delegador”. Ele é ótimo em distribuir o trabalho entre nossos funcionários. Eu sempre fui uma pessoa que gosta de manter as coisas sob controle e, às vezes, micro gerenciar tudo. Ele sempre consegue deixar acontecer e tem confiança de que aqueles que treinamos farão seu trabalho. Tê-lo como parceiro nos permitiu crescer muito. É ótimo ter alguém que não seja apenas seu parceiro nos negócios, mas também um membro da família com a qual você possa contar.

 

Tribuna – Você tem uma filha e dois filhos. Você vê sua própria história se repetindo? MaryJean – Quando meus filhos eram novos, eu sempre dizia a eles que eles poderiam ser o que quisessem. Eu costumava dizer que eles tinham que ter paixão por seu trabalho. Eu não me importava se eles varressem calçadas contanto que amassem o que faziam. Minha filha, sendo a única garota, me viu trabalhando desde nova. Eu agora vejo paixão no trabalho de Stephanie, já que ela trabalha comigo diariamente. Não tenho dúvidas de que ela tentará levar essa empresa para outro nível e sim, há momentos em que vejo a determinação e o impulso que tive. Eu não diria que a história está se repetindo, mas é um bom sentimento vê-la evoluir neste negócio.

Quanto aos meus filhos, um seguiu os passos do pai e trabalha com ele. Meu filho mais novo, sempre mais individualista e criativo, mora na cidade e está seguindo seu sonho de trabalhar com publicidade.

 

Tribuna – Uma citação ou princípio que pode ter ajudado a moldar a pessoa que você é hoje?

MaryJean – Eu diria que os comentários do meu professor universitário, Dr. Eugene Buccini, na aula de produtividade de funcionários definiram como trato meus funcionários. Ele disse: “Se você trata seus funcionários como pessoas e não um número, eles darão muito a você em produtividade… Você deve mudar com cada geração de trabalhadores. A geração de hoje não será como a de ontem ou amanhã. Você deve se adaptar às várias gerações”. Estando no mercado há 29 anos, posso dizer honestamente que essa foi a base da construção da NY-Conn. Nosso pessoal é nosso maior patrimônio no setor de serviços. Estou sempre tentando encontrar novas maneiras de fazê-los se sentirem valorizados.

 

Tribuna – Algum conselho para empresas pertencentes a minorias e mulheres?

MaryJean – Quando você se aventura em uma área onde pode ser a minoria (para mim, era ser mulher na indústria da construção civil), nunca perca o foco do que é importante para você. Faça sua lição de casa; esteja sempre preparado, porque se estiver um passo à frente daqueles que estão sentados na sala com você, você nunca estará em desvantagem. Conhecimento é realmente poder e quanto mais você souber sobre seu setor, sua empresa, mais forte se sentirá diante de uma situação difícil. Aproveite das ferramentas disponíveis; com isso quero dizer dos programas que são oferecidos localmente ou pelo estado. Há muitos por aí, mas você precisa procurá-los.

 

Tribuna – Você alcançou seu sonho americano?

MaryJean – Eu realmente acredito que alcancei objetivos nos negócio que estabeleci e alcancei o sonho americano. Acredito que o sonho americano é que se você trabalhar duro, pode subir a escada do sucesso, seja em seu próprio negócio ou em uma carreira que você ama. Para mim, alcancei coisas que nunca pensei que alcançaria. Ser homenageada com o Prêmio Previdi deste ano, um prêmio que meu pai recebeu, é algo que nunca pensei ser possível. Nunca pensei que seguiria seus passos, muito menos ser honrada com prêmios similares aos deles. Isso aquece meu coração e sei que deixa ele e minha mãe orgulhosos. Mas muitas vezes ouço as pessoas dizerem: “Seus filhos são uma extensão sua”. Eu realmente tive dois ótimos professores com meus pais.

 

Tribuna – Você acredita que vivemos em uma nação dividida, se sim, o que uniria as pessoas?

MaryJean – Eu realmente acredito que vivemos em uma nação dividida. O que nos uniria seria trabalharmos juntos. Aqueles que lideram e ocupam posições de poder, que são eleitos pelo povo, devem aprender a ensinar aqueles que são menos afortunados a se manterem sozinhos. Eles precisam criar programas que os ajudem a superar a pobreza. Acredito firmemente que o ambiente em que crescemos, as circunstâncias que enfrentamos moldam quem nos tornamos; se ninguém está tentando empurrá-los em uma direção diferente, o ciclo continuará.

 

Tribuna – O que está na sua lista de desejos para 2019?

MaryJean – Ter mais tempo para a família, especialmente os membros da minha que estão envelhecendo. Trabalhar para conseguir mudar algumas dessas regulamentações que estão impedindo as escolas técnicas de produzirem mão-de-obra especializada, porque elas não podem ser registradas. Esquiar mais vezes que no ano passado. Essa é realmente uma das minhas paixões, me recarrega e me dá uma nova perspectiva quando volto a trabalhar numa segunda-feira.

 

Tribuna – O que o Prêmio Cecil Previdi significa para você?

MaryJean – Ganhar este prêmio de negócio é extremamente especial para mim por algumas razões. Uma delas é que trata-se de uma das mais prestigiadas premiações empresariais nesta área. Lembro-me que quando começou em 1988 pensei que meu pai seria um candidato perfeito. Ele de fato ganhou em 1993, e seguir seus passos, ser colocada na mesma categoria que ele e muitos outros proeminentes empresários que admirei durante minha carreira, é uma grande honra.

Tribuna – Conte-nos sobre sua família.

MaryJean – Meus filhos me mantém com os pés no chão. Qualquer mãe que trabalhe pode dizer que planeja tudo direitinho, mas se um dos seus filhos ficar doente, tudo muda imediatamente. Eles me ensinaram a sempre ter um plano “B” se houver um atraso na escola, nevasca, etc. Acredito que lhes ensinei como fazer várias tarefas ao mesmo tempo assim como fui ensinada. Eu realmente acredito que ter uma mãe trabalhadora mostrou a eles que você pode ter o melhor dos dois mundos. Minha filha viu em primeira mão que se pode ter uma família e uma carreira ao mesmo tempo. Ela sabe que nem sempre será tranquilo, mas que é possível!

 

Tribuna – Qual é a sua mensagem de fim de ano para nossos leitores?

MaryJean – Não importa sua religião, eu realmente acredito que o mês de dezembro, o advento, traz o melhor de todos nós. Ficamos um pouco mais pacientes, um pouco mais sensíveis aos que nos rodeiam. Aprecie a tranquilidade que esta época traz e abra seu coração para alguém menos afortunado. Uma palavra amável pode significar um mundo de diferença para alguém e irradiar luz onde possa haver escuridão.

 

Sobre o Prêmio Cecil J. Previdi

O Prêmio Previdi homenageia um empresário da comunidade que demonstra visão, habilidades de liderança, espírito empreendedor e atitudes progressistas nos negócios. O prêmio foi criado em memória a Cecil J. Previdi, presidente da Danbury Printing & Litho, após sua morte prematura em um acidente de avião em 1987.

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December 19, 2018

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