O Efeito Pós-Eleitoral: O Ódio e a Ignorância Não São Exclusivos de Nenhum Grupo da Nossa Sociedade

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Editorial

O Efeito Pós-Eleitoral: O Ódio e a Ignorância Não São Exclusivos de Nenhum Grupo da Nossa Sociedade

By Emanuela Palmares- Tradução: Fernanda Magrini Sinha

De acordo com a Agência Federal de Investigação (FBI), crimes de ódio contra muçulmanos, indivíduos LGBT e negros estão em ascensão nos Estados Unidos depois de ficarem em baixa nos últimos 20 anos. O Southern Poverty Law Center (SPLC) contabilizou mais de 200 relatos de incidentes relacionados à raça e preconceitos nas escolas de ensino fundamental e médio desde a eleição presidencial.

Em Danbury, a polícia está investigando meia dúzia de casos em que suásticas foram pintadas com spray em propriedades privadas durante as últimas semanas — mais recentemente durante o fim de semana após o dia da eleição, quando o símbolo nazista foi feito em uma casa e um carro estacionado na Division Street.

Em Wilton, naquele mesmo fim de semana, durante um jogo de futebol do ensino médio contra Danbury, os alunos de Wilton cantavam: “Construa o muro!”

E em Meriden, dois homens foram presos depois que supostamente atacarem um homem que estava acenando uma bandeira americana e segurando um sinal da eleição de Trump. A polícia disse que os dois suspeitos do sexo masculino pararam seu carro, saíram do veículo e começaram a socar e chutar o homem, forçando a vítima a ir para a rua.

Vi pessoalmente, como profissional e como alguém envolvida na comunidade de Danbury, que o ódio e a ignorância não são exclusivos de nenhum grupo da nossa sociedade. Nem amor ou compaixão. Qualquer um que tente nos fazer acreditar que o ódio pode ser atribuído a algum grupo geral de pessoas é parte do problema.

Não há como negar que a retórica das eleições presidenciais encorajou aqueles que abrigam o ódio contra um grupo de pessoas. Mas o ódio é comportamento aprendido, que pode ser transmitido por alguns de geração para geração, cego pelo muro que eles constroem em torno de si mesmos, isolando-os do mundo.

A solução é olhar para todos a partir da compreensão, deixando nossa necessidade de estarmos certos, dando espaço para a necessidade do outro de ser ouvido. Precisamos ouvir TODAS as pessoas. Precisamos fazer mais perguntas e menos suposições.

Precisamos ser compassivos na definição mais profunda: uma forma de amor, despertada dentro de nós quando somos confrontados com aqueles que sofrem ou que são vulneráveis. Não cabe a nós definir o que se qualifica como sofrimento, ou julgar quem pode reivindicar vulnerabilidade.

A cor da pele, o país em que nasceram, quem amamos, a forma como adoram ou qual partido político pertencem é apenas uma das muitas facetas de sua humanidade.

Parece utópico? Posso garantir que não é. Minha história como imigrante e as histórias de milhares de outras minorias não seriam possíveis se não fossem por aqueles que estavam dispostos a ouvir, olhar todas as nossas facetas e ver que tínhamos mais em comum do que diferenças.

A escuridão que vemos hoje em nossa cidade, em todo o nosso estado e em todo o nosso país não é novidade. Nem é nossa luz e cabe a nós garantirmos que cada geração a faça brilhar mais e mais forte. Devemos falar, mas também ouvir. Devemos usar o amor para expulsar o ódio.

“A escuridão não pode afastar a escuridão: somente a luz pode fazer isso. O ódio não pode afastar o ódio: só o amor pode fazer isso.”

— Martin Luther King, Jr., A Testament of Hope: The Essential Writings and Speeches

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November 28, 2016

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