Respeite seu Próximo

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Editorial

Respeite seu Próximo

By Emanuela Palmares

No dia 27 de outubro, uma tragédia indescritível foi infligida à Sinagoga Tree of Life, em Pittsburgh, o mais mortífero ataque da história contra a comunidade judaica nos Estados Unidos, onze pessoas foram mortas e seis ficaram feridas.

O único suspeito, de 46 anos, foi preso e acusado de 29 crimes federais e 36 crimes estaduais. Usando a rede social on-line Gab, o atirador postou comentários anti-semitas contra a Sociedade de Ajuda ao Imigrante Hebreu (HIAS, sigla em inglês) em que a congregação da Tree of Life era participante de apoio.

Referindo-se as caravanas de migrantes da América Central e imigrantes, ele postou no Gab pouco antes do ataque que “A HIAS gosta de trazer invasores que matam nosso povo. Eu não posso sentar e ver meu povo ser morto. Dane-se sua ótica, eu vou entrar”.

Após a tragédia, a imagem de um cartaz da igreja, que abrangia todas as diferenças que alimentaram o ódio que levou o atirador a atacar, entre outros, tornou-se viral. O cartaz dizia:

“Ame seu próximo que não se parece com você, pense como você, ame como você, fale como você, ore como você, vote como você. Ame seu próximo. Sem exceção”.

O cartaz foi criado pela Igreja Episcopal All Souls, em Washington DC. Seu pároco estava passando por outra igreja episcopal que havia postado um cartaz incentivando as pessoas a amarem as pessoas, com uma longa lista de características muito específicas. Isso o inspirou a fazer um cartaz para colocar diante de sua igreja que transcendesse qualquer ideologia política particular, já que em Washington DC pode-se ver cartazes e placas sobre posições diferentes em todo lugar.

O desenvolvimento do cartaz coincidiu com o sermão de seu bispo presidente, Michael Curry, oferecido ao mundo no casamento do Príncipe Harry e Meghan Markle, no dia 19 de maio de 2018. “Ame o próximo que você gosta e o próximo que você não gosta”, Bispo Curry pregou, como muitos milhões de pessoas em todo o mundo o observavam, referindo-se ao que Jesus chamou de segundo grande mandamento: “amar o próximo como a si mesmo” (Marcos 12:28-34 e Mateus 22:35-40).

Mas a ideia de “amar o próximo” data pelo menos dos primeiros tempos confucionistas (551-479 a. C.), segundo Rushworth Kidder, que identifica que esse conceito aparece proeminentemente no budismo, cristianismo, hinduísmo, judaísmo, taoísmo, zoroastrismo e “o resto das principais religiões do mundo”. Cento e quarenta e três líderes que englobam as principais crenças do mundo endossaram a Regra de Ouro como parte da “Declaração para uma Ética Global” de 1993, incluindo fé bahá’í, bramanismo, brahma kumaris, budismo, cristianismo, hinduísmo, indígena, inter-fé, islamismo, jainismo, judaísmo, nativo americano, neo-paganismo, sikhismo, taoísmo, teosofista, unitário universalista e zoroastrismo.

No entanto, o cartaz criado pela Igreja Episcopal All Souls parecia quebrar a regra em seis categorias que nosso mundo entrincheirado de mídia social poderia digerir. Mas a palavra amor tão poderosa quanto realmente é, pode parecer muito vasta, muito grande, ou muitas vezes mal usada para coisas que não justificam evocar tal emoção para ser aplicada a qualquer um que você “nem conhece tão bem”, especialmente no momento em que a palavra ódio é tão facilmente e mal utilizada.

Mas, ao nos aproximarmos do final de uma temporada de eleições e do início da temporada de festas, todos devemos nos esforçar para dominar as seis categorias do cartaz viral, e se o amor pode parecer muito, comece com a palavra respeito que é a única substituta até que o amor seja alcançado. Pode ser tão poderoso no sentido de uma de suas definições “ter a devida consideração pelos sentimentos, desejos, direitos ou tradições”.

Então, esforce-se para RESPEITAR seu próximo que não se parece com você, pense como você, ame como você, fale como você, ore como você, vote como você. Respeite seu próximo. Sem exceções.

Pois somos mais do que nossas opiniões políticas, tópicos do Facebook ou quaisquer outros aspectos individuais de nosso ser, como raça, religião, identidade sexual, país de origem, status de imigração ou qualquer preferência pessoal. Somos todos humanos, e independentemente de você ter fortes crenças religiosas e se esforçar para viver de acordo com a regra de ouro, ou não ter nenhuma crença, todos nós queremos respeito e até mesmo amor. Nós somos aqueles que têm o poder, através de cada uma das nossas ações para infundir isso no mundo, independentemente de alguns dos nossos líderes optarem por não fazê-lo.

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November 8, 2018

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