Deportações Aumentam Execuções Hipotecárias

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Imigração

Deportações Aumentam Execuções Hipotecárias

By Newswise- Tradutor: Fernanda Magrini Sinha

No início de sua campanha presidencial, Donald Trump disse que deportaria todos os estimados 11 milhões de imigrantes que estão ilegalmente nos Estados Unidos.

Se o presidente eleito mantiver sua palavra, mais deportações sob sua administração significaria uma perda devastadora para os latinos legais — e as comunidades onde eles vivem.

Uma nova pesquisa conduzida por um demógrafo da Universidade Cornell sugere que a deportação de latinos indocumentados resultará em taxas mais altas de execuções hipotecárias. Isso porque uma parcela considerável de latinos legais vivem com assalariados indocumentados que contribuem para a renda familiar; cerca de um terço dos latinos indocumentados vivem em casas pertencentes a latinos legais. Quando esses assalariados são deportados, o agregado familiar perde a renda e, então, começa o caminho para execução hipotecária.

A redução da moradia e a perda de riqueza que acompanha a situação ilustra como o estatuto jurídico e a deportação contribuem para a desigualdade racial, disse Matthew Hall, professor de análise e gestão de políticas da Cornell.

“Em grande medida, o futuro da América dependerá da nossa capacidade de integrar com sucesso a população jovem latina. Independentemente do que aconteça com a política imigratória, a população latina continuará a crescer”, disse Hall. “Execuções hipotecárias e aplicação de leis de imigração afetam essas famílias de maneira negativa, por isso, há uma questão se estamos descarrilando nosso próprio futuro em detrimento dessas famílias”.

Ao contrário de algumas áreas políticas, Trump pode mudar as políticas de aplicação das leis de imigração no seu primeiro dia de mandato e não precisa da aprovação do Congresso para fazê-lo.

“Não sabemos exatamente o que o governo Trump fará”, disse Hall. “Mas se levarmos em conta a palavra de Trump, devemos supor que as deportações provavelmente aumentarão — e talvez dramaticamente”.

Os autores descobriram que de 2005 a 2012, os latinos foram golpeados por duas forças principais: um número recorde de deportações e a crise de execuções hipotecárias. O aumento das deportações decorreu em parte de uma seção de reformas da imigração de 1996, conhecida como programa 287(g), que “delegou” às forças policiais locais latitudes sem precedentes para perseguir e deportar imigrantes que vivem nos Estados Unidos. Apesar da retórica acalorada sobre as prioridades existentes, o número de deportações explodiu durante a década de 2000, com quase 3 milhões de deportados entre 2001 e 2011. Ao mesmo tempo, muitos latinos estavam comprando casas quando a bolha imobiliária começou a explodir.

Comparando execuções hipotecárias em domicílios latinos em 42 municípios que adotaram o programa 287(g) com municípios sem ele, os pesquisadores descobriram que as deportações aumentaram consideravelmente as taxas de execuções hipotecárias entre os latinos ao remover assalariados das casas ocupadas pelo proprietário. As taxas de execuções hipotecárias em municípios que adotaram o programa 287(g) foram 68% mais elevadas do que em outros municípios sem 287(g).

A dinâmica ajuda a explicar por que as famílias latinas perderam suas casas para execuções hipotecárias com mais frequência do que qualquer outro grupo racial durante a crise imobiliária, disse Hall.

“A colisão dessas forças — deportação e execução hipotecária — foi facilitada pela rápida incorporação de latinos durante o boom imobiliário, quando os termos da hipoteca de risco eram a norma”, disse Hall.

A maior implicação é que os efeitos negativos de uma única deportação podem criar um efeito bola de neve que danifica a comunidade. As execuções hipotecárias muitas vezes resultam em casas vagas ou abandonadas, levando ao crime e desengajamento cívico. Isso por sua vez pode reduzir o valor das casas no bairro, levando a ainda mais execuções hipotecárias. E as comunidades perdem receitas tributárias dessas casas.

“Infelizmente, muito da política de imigração é motivada pelo apelo emocional e não pela análise custo-benefício ou qualquer tipo de avaliação empírica”, disse Hall. “Minha preocupação é que, como os esforços para deportar as pessoas estão aumentando, não perdemos de vista como as deportações não só destroem as famílias — muitas das quais com cidadãos americanos — mas também prejudicam as comunidades e a economia local”.

O estudo de Hall, “Deportando o sonho americano: polícia imigratória e execuções hipotecárias latinas” foi publicado no dia 8 de dezembro na Sociological Science.

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January 26, 2017

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