Casamento Intercultural

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Little Brazil, Noticia

Casamento Intercultural

By Karla Rensch

A paixão desconhece nacionalidade e fronteiras.  Com base nesse fator de teor social e tido como sabedoria popular, alguns historiadores e pesquisadores atribuem ao amor (nesse caso entre cidadãos de culturas e costumes amplamente diferentes) a responsabilidade de tornar possível e plausível o crescimento e a solidificação das relações entre indivíduos que nada possuem em comum e que indo de encontro a todas as estatísticas e estudos comportamentais interculturais, sobrevivem sólidas ao tão conhecido e temido choque cultural.

Segundo o Censo dos EUA (Married-Couple Households by Nativity Status/ American community Survey/ Census Bureau), 21% das famílias de casados que vivem em território nacional, tem pelo menos um dos cônjuges nascidos em um outro país. A pesquisa aponta ainda que esse número vem crescendo gradativamente em um ritmo paralelo ao aumento da imigração nos Estados Unidos.

Muitos são os fatores que contribuem para o fracasso das relações interculturais, pois com o passar do tempo o casal tende a perceber que somente amar o parceiro não é suficiente para sustentar a relação de forma saudável, sem culpar o outro por todas as mudanças que terão que ser encaradas nessa nova etapa da vida. É preciso bem mais que amar, é necessário que haja maturidade, muito bom humor e jogo de cintura para adaptar-se a nova cultura e poder integrar-se a ela sem medo e sem reservas, compreendendo que os limites do outro podem ser completamente fora do padrão a que se esta acostumado dentro da realidade conhecida.

Um americano, nascido em Connecticut, casado com brasileira, ao ser questionado sobre o segredo de um casamento duradouro intercultural, respondeu: “É preciso abrir a mente e o coração para o diferente, estar apto a entender que muitas coisas que são normais para um serão completamente absurdas para o outro. É aprender a rir junto das estranhezas, do diferente”.

Quando encarado com leveza o choque cultural toma uma proporção menos severa e não acaba resultando em divórcio. Tendo como exemplo a nossa comunidade, observamos muitos casamentos felizes entre brasileiros e americanos, indivíduos de  valores divergentes (culturais, intelectuais e econômicos), mas que respeitam as diferenças e encontraram no equilíbrio e no amor o alicerce de uma relação bem sucedida.

De acordo com a autora do livro “Seu casamento intercultural” (Your Intercultural Marriage), Marla Alipoaicei, ignorar a cultura do cônjuge é um dos problemas mais graves, ela diz em seu livro: “Os casais interculturais provavelmente experimentam mais conflitos que os casais da mesma nacionalidade”. Por que isso?

Segundo o autor, Dugan Romano, no livro “Intercultural Marriage: Promises and Pitfalls” (Casamento Intercultural: Promessas e Armadilhas), “Os conflitos sempre estiveram presentes nas relações e ninguém dava a eles a devida atenção, explodindo depois com a convivência.”

De acordo com os dois conceituados autores, esse tipo de casal será constantemente exposto a diferentes costumes, cerimonias, línguas e peculiaridades, e é essa exposição ao diferente que gera o conflito, base do choque cultural.

O casamento intercultural assim como a imigração, cresce gradativamente em nossa comunidade. Existindo ou não os conflitos, as estatísticas comprovam que vem dando certo, já que ao menos no estado de Connecticut, o número de divórcios continua diminuindo, atestando assim que o diferente tem lá os seus encantos e funciona bem entre americanos e brasileiros.

 

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February 15, 2018

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