Diagnóstico do Autismo: Latinos Enfrentam Obstáculos

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Diagnóstico do Autismo: Latinos Enfrentam Obstáculos

By Annika Darling | CTLatinoNews.com

Os latinos são a maior população em crescimento nos EUA, mas têm a menor taxa de diagnóstico de autismo. E, de acordo com a Dra. Lauren Herlihy, que trabalha no Hospital for Special Care em Connecticut, quando crianças latinas são diagnosticadas com autismo, elas tendem a ser diagnosticadas, em média, 2,5 anos depois do que crianças não latinas. 

Quanto mais cedo uma criança é diagnosticada com autismo, melhor o resultado a longo prazo. Dra. Herlihy, explica: “O que sabemos sobre o autismo, o diagnóstico precoce geralmente leva a um início antecipado ao tratamento, e uma intervenção intensiva precoce nos sintomas do autismo conduz a um melhor resultado. Não  estudos longitudinais, que eu saiba, para ver o que acontece na trajetória das crianças que são diagnosticadas mais tarde, mas seria razoável pensar que elas poderiam ter menos acesso a serviços e, portanto, um resultado menor em termos de construir mais habilidades ou na aquisição da linguagem. 

O diagnóstico do autismo continua a ter muitas barreiras para a comunidade latina. Diversas fontes apontam a barreira do idioma como motivo. “Trabalhos literários fazem uma distinção entre crianças latinas falantes de espanhol como primeira língua nos EUA versus famílias latinas com primeira língua inglesa nos EUA”, diz Herlihy. “Particularmente, obter acesso a avaliação diagnóstica e tratamento em espanhol, especialmente em um estado como Connecticut, é mais desafiador. Embora possa haver muitos falantes de espanhol e intérpretes prontamente disponíveis no sistema de saúde, não há muitos serviços especializados para se diagnosticar e tratar o autismo”. 

Uma maneira na qual Connecticut mudou a lacuna no diagnóstico precoce de crianças latinas é a triagem universal para todas as crianças que passam pelo consultório pediátrico aos 18 e aos 24 meses de idade. Herlihy diz que isso é algo de que eles se orgulham aqui em Connecticut, e acreditam que outros estados deveriam seguir o exemplo. Com todas as barreiras e disparidades no diagnóstico de autismo com base na raça, Herlihy acredita que esta é a melhor coisa que pode ser feita para reduzir as barreiras. 

Quando os pais ouvem sobre as disparidades no diagnóstico precoce do autismo, geralmente se perguntam se deveriam procurar sinais eles mesmos. E, embora a educação sobre o assunto certamente seja útil, Herlihy expressa que, com a triagem universal, a missão não é armar os pais, mas sim os profissionais de saúde. “Não é sobre um pai precisar saber identificar os sinais de autismo, reconhecer que isso é uma preocupação e, então, procurar o pediatra e pedir ajuda, mas a triagem pediátrica permite medidas padronizadas que perguntam aos pais sobre os primeiros sinais de autismo, e esta informação é que geraria o encaminhamento sem que os pais precisem conhecer os sinais do autismo… A maioria dos pediatras em Connecticut faz isso e é maravilhoso”. 

A Academia Americana de Pediatria recomendou a triagem universal para o autismo em 2015, após um estudo que analisou evidências de autismo em artigos revisados por colegas no ramo. O estudo afirma: “Embora tenha havido avanços consideráveis na caracterização de marcadores comportamentais iniciais preditivos de transtornos do espectro do autismo (ASDs), conforme resumido nesta edição especial para pediatria, a tradução para a prática clínica requer que o processo de monitoramento de tais marcadores precoces seja operacionalizado para facilitar uma ampla implementação. Para esse fim, a triagem universal para ASD foi recomendada pela Academia Americana de Pediatria (AAP) para garantir a prática consistente e a detecção ideal de crianças pequenas com sinais precoces de ASD em diversos contextos clínicos e comunitários. 

Continua havendo um esforço para preencher a lacuna no diagnóstico precoce, e a triagem universal tem sido um salto gigantesco. A pesquisa continua a crescer nessa área também para os latinos. Herlihy diz que tem a impressão de que, juntamente com a pesquisa e a triagem, tem havido bastante conscientização em espanhol, em relação a obras escritas disponíveis para a população em geral para ajudar a identificar os sinais de autismo. 

Para ajudar com isso, Herlihy nos dá três sinais do autismo: 

  • Uma criança que não está fazendo contato visual, não olha as pessoas nos olhos quando elas falam com ela 
  • Crianças pequenas que brincam com brinquedos de maneira incomum e repetitiva ao invés depor exemplo, brincar de “fazer de conta” com eles. 
  • Crianças que não usam tantos gestos para se comunicarem, não apontam para algo ou não entendem quando você está apontando para algo: comprometimento da comunicação não-verbal. 

Em Connecticut, a detecção precoce é fundamental não apenas para a criança, mas também para aqueles com Medicaid. Existem muito poucas clínicas em Connecticut que aceitam o Medicaid para este tipo de diagnóstico, no entanto, se as crianças forem identificadas precocemente através do sistema de intervenção precoce, que é gratuito, elas receberiam a avaliação e não teriam que passar pelo plano de saúde. 

Esta história foi originalmente publicada no CT Latino News, para mais acesse www.ctlatinonews.com. 

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June 19, 2019

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