Independente do Status Imigratório, Trabalhadores Domésticos Possuem Direitos Civis e Humanos

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Independente do Status Imigratório, Trabalhadores Domésticos Possuem Direitos Civis e Humanos

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Os trabalhadores domésticos sempre desempenharam um papel significativo na economia dos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Aliança Nacional dos Trabalhadores Domésticos dos Estados Unidos (NDWA), o perfil do empregado doméstico é, em sua maioria, imigrante, que trabalha em faxina e ganha em torno de U$$ 10 dólares por hora, sendo 95% desempenhado por mulheres.

No entanto, tais atividades domésticas são muita das vezes desvalorizada e não há uma regulamentação vigente que ampare todos os direitos trabalhistas desta classe. O que contribui para a precarização, exploração e abuso no local de trabalho.

De acordo com a NDWA, em Connecticut, há aproximadamente 40.000 mil trabalhadores domésticos que prestam serviços como faxineiras, babás e cuidadores de idosos ou pessoas com limitações. O papel exercido por esses trabalhadores domésticos é de extrema importância para os seus empregadores, uma vez que sem tal prestação de serviço, quem limparia a sua casa? Cuidaria do seu filho ou do idoso?

“Eu trabalhei com dois casais brasileiros donos de ‘schedule’ aqui em Danbury. O primeiro casal é do estado de Minas Gerais e o segundo casal é do Paraná. Ambos me tratavam com uma total falta de humanidade, sem nenhuma consideração. O casal do Paraná chegou a me ameaçar dizendo que ligaria para a imigração, caso eu não trabalhasse do jeito que eles gostariam”, relata a brasileira, Eliane Escolase.

“No início foi combinado que pagariam o salário todos os sábados. Depois passaram a pagar nas segundas-feiras e assim foram atrasando os pagamentos, só que eu tinha muito medo de perder este trabalho e não conseguir outro, daí acabava me sujeitando,” conta Escolase, acrescentando, “Nunca pensei em denunciar porque não sei como funciona aqui, e eu como tantos, não tenho ideia onde devemos ir”.

“Eu trabalhava para uma brasileira que me obrigava a enfiar a mão no vaso sanitário sem luvas, pois ela não comprava e também não exigia que as americanas comprassem, com isso, meus dedos começaram a ficar na ferida viva devido aos produtos e ela não se importava com isso. Fui proibida de ir trabalhar com calça jeans ou legging, pois ela dizia que chamava a atenção dos americanos e eu tinha que ir trabalhar com calça de moletom e roupa larga. Eu fui muito humilhada e abusada por minhas patroas donas de ‘schedule’. Hoje eu tenho o meu próprio negócio e não tenho coragem de fazer isso com ninguém”, conta Tânia Lima.

Relatos como esses das brasileiras, Eliane Escolase e Tânia Lima, são situações frequentes que os profissionais domésticos vivenciam. E por não saber como agir em casos de abusos, humilhações e exploração acabam se silenciando.

De acordo com a Líder Comunitária do Centro do Trabalhador Brasileiro, Maria Lima, desde 2015 a Lei de Trabalhadores em Connecticut fornece proteção contra discriminação e assédio sexual. “Estamos na luta para que no próximo ano os trabalhadores domésticos do estado de Connecticut tenham todos os direitos trabalhistas básicos. Conseguimos que o assédio sexual e a discriminação não fossem tolerados em qualquer circunstância”, ressalta.

“É importante que os trabalhadores domésticos saibam que pode denunciar qualquer tipo de abuso. Ligue para o Centro do Trabalhador Brasileiro que nós iremos dar o suporte necessário e encaminhar o caso para que sejam tomadas todas as devidas providências. Independente do status imigratório, os trabalhadores precisam saber que possuem direitos civis e humanos”, informa Maria Lima.

 

Para contatar o Centro do Trabalhador Brasileiro, ligue 617-783-8001.

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December 1, 2016

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