Casos de TBc Aumentam em Connecticut, Primeiro Aumento Nacional em 23 Anos

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Casos de TBc Aumentam em Connecticut, Primeiro Aumento Nacional em 23 Anos

By Jenifer Frank | C-HIT – CTMirror |Tradução: Fernanda Magrini

Os casos notificados de tuberculose subiram 17% em Connecticut de 2014 a 2015, espelhando uma tendência nacional e global e levando as autoridades federais a pedirem aos prestadores de cuidados primários que fiquem alerta com os pacientes em risco. O Departamento de Saúde Pública do Estado (DPH) disse que 70 pessoas, em 29 cidades, foram notificadas com TBc ativa, a forma contagiosa da doença, em 2015, em comparação com 60 no ano anterior. Cerca de 80% dos pacientes de Connecticut eram estrangeiros, muitos de países asiáticos.

Nacionalmente, os casos de tuberculose totalizaram 9.563 ano passado, um aumento de 157 em relação a 2014. Foi o primeiro salto nos casos depois de mais de duas décadas de declínios anuais, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). A Nova Inglaterra teve um dos maiores aumentos regionais, segundo dados federais, com 330 casos relatados, um aumento de 7,5%.

Connecticut e as autoridades nacionais de saúde não estão certos sobre o que está por trás do aumento e disseram que mais estudos são necessários. Variedades resistentes aos medicamentos tornaram-se um desafio, mas isso é, em grande parte, um problema em outros países neste momento, disseram. Cerca de dois terços dos casos nacionais em 2015 eram de pessoas nascidas no exterior, disse o CDC.

Dra. Lynn Sosa, epidemiologista-chefe adjunta do DPH e chefe de seu programa de controle a tuberculose, disse que a maioria dos residentes nascidos no exterior esteve em Connecticut por anos, indicando que eles podem ter tido a forma latente da doença. “A maioria não chegou aqui ano passado”, disse.

Sosa foi rápida ao dizer que ela quer ver os números de 2016 antes de considerar uma tendência, em vez de um pico de um ano. “Estamos em uma posição que nunca vimos antes? Eu não sei”, disse.

Dr. James Mazo, diretor médico para saúde ocupacional no St. Francis Hospital e Medical Center em Hartford, disse que a tuberculose é “uma doença que tende a ser pensada como praticamente inexistente. Mas ainda está por aí”.

Yale New Haven Hospital constantemente trata de cinco a 15 pacientes por ano com TBc ativa, disse o Dr. Richard A. Martinello, diretor médico de prevenção a infecção. Funcionários de outros hospitais de Connecticut dizem que, basicamente, eles tratam números semelhantes.

Durante muitos anos, a tuberculose foi a principal causa de morte nos EUA. Propagada por bactérias no ar, ela geralmente atinge os pulmões, mas pode afetar qualquer parte do corpo.

Embora seu número tenha sido reduzido drasticamente desde meados do século 20 com o advento das terapias multidrogas, a TBc ressurgiu com a epidemia do HIV/AIDS, que ofereceu uma nova oferta de hospedeiros com sistema imunológico enfraquecido.

A maioria dos pacientes tuberculosos nos Estados Unidos nasceu no México, Filipinas, Índia, Vietnã e China. Em Connecticut, os três países de origem com cinco ou mais casos em 2015 foram a Índia, Filipinas e Equador, disse o DPH.

O Stamford Advocate relatou em fevereiro que 31 pessoas foram testadas depois de entrarem em contato com alguém com TBc ativa na Westhill High School da cidade. O Dr. Henry Yoon, consultor médico para o departamento de saúde de Stamford, disse que não teve conhecimento de quem foi testado ter contraído a doença.

O Dr. Michael Parry, especialista em doenças infecciosas do Hospital Stamford, disse que muitos dos oito a dez pacientes por ano que o hospital vê vêm da América Central e do Caribe, assim como da Índia. Os pacientes são “infectados durante a infância, imigram para cá, e durante a idade adulta, a TBc reativa”, disse ele. “Fica latente e então escapa do controle do sistema imunológico”.

Ele comparou tuberculose latente com herpes zóster, uma condição muito mais comum, que é causada pela reativação do vírus que causa catapora.

Os sintomas típicos da tuberculose ativa incluem tosse persistente, febre, calafrios e perda de peso não intencional. Pessoas com tuberculose latente — a Organização Mundial de Saúde e o CDC estimam este grupo como um terço da população mundial — não mostram sintomas da doença e não são contagiosas.

Desde que o aumento foi anunciado, o CDC tem aumentado os esforços de prevenção, visando as pessoas com alto risco de infecção latente — cerca de 13 milhões de pessoas, ou cerca de 4 por cento da população dos EUA. Sem tratamento, um em cada 10 desenvolverá tuberculose ativa, disse a agência.

Além de pessoas de países com alta prevalência da doença — que compreende grande parte do mundo em desenvolvimento — os pacientes com HIV ou outros com sistema imunológico enfraquecido são considerados de alto risco, assim como as pessoas que vivem ou viveram em certos contextos reunidos, como os abrigos sem-teto e instalações de cuidados de longa duração.

Pela primeira vez, o CDC diz que o sistema de saúde pública não é mais o único jogador crucial na prevenção.

“Precisamos de ajuda de [provedores de cuidados primários] para encorajar pacientes em risco a serem testados e, se necessário, iniciarem e completarem o tratamento”, disse Philip LoBue, diretor da Divisão de Eliminação da Tuberculose do CDC, em um declaração em setembro.

Especialistas em saúde dizem que é mais fácil e muito menos dispendioso tratar a tuberculose latente do que a ativa. O tratamento da tuberculose ativa pode levar de seis a nove meses — se não houver complicações — e é extremamente trabalhoso, exigindo que o pessoal médico observe se os pacientes tomaram cada dose do remédio.

Além de “substituir” os prestadores de cuidados primários e enfatizar o tratamento de infecções latentes, o CDC também está atualizando suas diretrizes de 10 anos sobre a prevenção da transmissão aos trabalhadores de saúde que tratam pacientes com TBc ou HIV.

Dois hospitais de Connecticut relataram ter testado recentemente grandes grupos de funcionários depois de terem sido expostos a pacientes contagiosos, de acordo com o relatório do Centro de Saúde UConn 2016 sobre doenças ocupacionais da Comissão de Compensação dos Trabalhadores do estado.

Cerca de 80 trabalhadores do Hospital William W. Backus em Norwich, em 2013 e 2014, tiveram que ser testados, disse Tim Morse, professor emérito no centro de saúde e coautor do relatório.

Em 2014, o Hospital St. Francis testou cerca de 250 funcionários que poderiam ter sido expostos a dois pacientes com TBc.

Nenhum dos funcionários dos hospitais contraiu uma infecção ativa ou latente, disseram os médicos de cada instituição.

Mazo, diretor médico do St. Francis para a saúde ocupacional, disse que no incidente de 2014, “infelizmente, foram três ou quatro dias antes [que os dois pacientes] pudessem ser diagnosticados, e eles tinham ido a vários departamentos… Então nós rastreamos e notificamos os colegas” que poderiam ter tido contato, disse ele.

Dr. Jack Ross, chefe de doenças infecciosas no Hartford HealthCare, disse: “É importante lembrar que a TBc apresenta vários sintomas inespecíficos”.

“Dependendo da localização, as possíveis exposições à TBc ocorrem anualmente em muitos hospitais”, disse Ross. “Isto apesar da seleção mais rigorosa e tentativas de prever quais pacientes representam um risco”.

A tuberculose é uma das mais antigas assassinas da humanidade — traços foram encontrados nos ossos e tecidos de múmias egípcias — e continua a ser uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo.

Para obter informações sobre a TBc e quem deve ser testado, visite www.cdc.gov/tb/

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December 8, 2016

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