A História de Víctor Rodríguez

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Série Sonho Americano

A História de Víctor Rodríguez

By Maria Danniella Gutiérrez- Salem

Nosso entrevistado hoje é Víctor Rodríguez, que nasceu em Nova Iorque, de pais porto-riquenhos. Diga-me, qual foi o motivo pelo qual seus pais se mudaram do paraíso para a Big Apple?

IMG_0871“Porto Rico é uma bela ilha que tem riquezas naturais incríveis e pessoas com um espírito inquebrável. É quase impossível descrever a fé e o desejo delas pela vida. Infelizmente, como também é o caso agora, nos anos cinquenta, houve um êxodo migratório em que quase meio milhão de porto-riquenhos deixaram a ilha em busca de uma vida melhor. Meus pais eram muito jovens e decidiram embarcar em uma aventura juntos. Uma tia os hospedou em seu pequeno apartamento no Bronx. Uma das coisas fascinante sobre a cultura latina é o fato de que as tias estendem seu amor a seus sobrinhos como se fossem seus próprios filhos. Quase logo após chegar, meu pai foi recrutado e serviu no exército durante a Guerra da Coréia. Foi uma experiência que o ajudou de várias maneiras. Ele terminou de aprender a língua, pois estudou inglês na ilha em uma escola católica. Meus pais valorizam muito a educação, então trabalharam duro para eu estudar do ensino médio até a faculdade em escolas católicas.”

Quantos irmãos você tem?

“Infelizmente, minha mãe sofreu duas perdas e sou filho único. No entanto, tenho muitos primos e quando você cresce no Bronx, cercado por outros imigrantes, acaba tendo uma família muito grande e diversa. Eles eram pais amorosos mas isso não os impediu de serem rigorosos. Eles incultaram muitos valores em mim, especialmente a tolerância e o amor por ajudar os outros. Aqui, eles foram forçados a mudar sua profissão. Por exemplo, minha mãe era secretária, mas por mais de cinco anos, ela trabalhou como costureira até que finalmente conseguiu um emprego como secretária em um hospital grande. Meu pai, por outro lado, obteve uma boa posição no departamento de saúde porque passou em uma série de exames que o qualificaram para o trabalho, sendo um dos primeiros latinos a conseguí-lo naquela época. Com seus exemplos de vida, eles me mostraram que nada é impossível quando o desejo e o esforço para atingir um objetivo andam juntos.”

Quando você se tornou advogado?

“O meu primeiro emprego foi em uma empresa de cobranças. Esta empresa apoiou minha educação e tive a oportunidade de continuar a crescer profissionalmente. No entanto, depois de mais de 10 anos trabalhando para eles, reconheci a importância de conhecer a lei, respeitando os processos e também vi uma oportunidade para ajudar os outros. No começo, não estava muito determinado, porque, para conseguir isso, tinha que deixar meu emprego se quisesse ser estudante em tempo integral. Minha esposa e meus pais desempenharam um papel fundamental, me ajudando a tomar minha decisão.

Estudei entre 1997 e 2000; me formei e fiz o exame da Ordem, passando na primeira tentativa. Que foi uma grande alegria para minha família e meu mentor, o advogado José Vivaldi Martínez. Algo muito curioso aconteceu, e, ele soube primeiro o resultado da prova e me deu a notícia. Por muitos anos, trabalhei com ele até que ele se aposentou e depois abri meu próprio escritório. Ser um advogado me deu muita satisfação porque as vidas dos clientes são afetadas, para o pior, pelas suas ações. Eu sempre sou realista, objetivo e sincero com meus clientes porque espero o mesmo deles. Como advogados, devemos ser éticos do início ao fim. Só assim podemos contribuir para os ideais deste país. Tive a sorte de nascer em um país com liberdade, onde posso decidir o que ser e como fazê-lo.”

Conte-me sobre sua esposa.

“Barbara é a minha maior alegria, amiga e companheira. Eu sabia que ela era a mulher da minha vida um mês depois de conhecê-la, mas não lhe contei, para não assustá-la naquele momento. Graças a Deus, hoje posso dizer isso constantemente. Minha esposa me completa como ser humano. Ela é uma mulher inteligente, forte e nobre.”

Qual seria a sua mensagem final?

“Todos os seres humanos nascem bons; as circunstâncias os mudam. É por isso que não julgo as pessoas. Eu sempre tento procurar o melhor nelas. Só então recebemos seu melhor. Sua percepção muda tudo, então você tem que ser positivo o tempo todo.”

María Danniella Gutiérrez-Salem praticou direito na Venezuela antes de seguir seu próprio sonho americano e tornar-se escritora nos Estados Unidos. mdgutier@gmail.com.

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September 30, 2017

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